PF prende homem que enviou para os EUA rondoniense achada morta no deserto

Lenilda dos Santos viajou com sonho de ir morar nos EUA em agosto do ano passado e foi encontrada morta no deserto
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FRANCISCO COSTA
1 julho 2022
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Anderson Jerônimo de Souza, o Piscuila, foi preso após quase um ano da morte de Lenilda — Foto: Reprodução/Rede Sociais

Um homem identificado como Anderson Jerônimo de Souza, suspeito de ter intermediado a imigração ilegal de Lenilda Oliveira dos Santos para os EUA, foi preso pela Polícia Federal (PF) quase um ano depois da rondoniense ser achada morta no deserto americano.

A informação da prisão foi confirmada pela reportagem da Rede Amazônica. Segundo a polícia, Anderson é conhecido como Piscuila e em depoimento confessou o tráfico de pessoas.

O suspeito foi preso após ser localizado em Ouro Preto do Oeste (RO). A investigação da PF revelou que a partir da região central de Rondônia, Piscuila organizava viagem de moradores que tinham interesse em entrar ilegalmente nos EUA.

Após montar os grupos de imigrantes no estado, Piscuila entrava em contato com os coiotes mexicanos e repassava os nomes dos que iriam cruzar o deserto de forma ilegal.

Foi assim que ele fez com a enfermeira Lenilda dos Santos, que morava em Vale do Paraíso (RO) e em agosto do ano passado comprou um 'pacote' para ir de Rondônia até os EUA.

No entanto a viagem terminou de forma trágica. A rondoniense foi abandonada no deserto pelos coiotes quando tentava atravessar do México para os EUA e acabou morrendo de fome e frio.

Segundo a PF, o traficante que enviou Lenilda para a viagem vai ficar em prisão preventiva e deve responder na Justiça por promover a imigração ilegal e de homicídio com dolo eventual, decorrente da morte de Lenilda.

Lenilda saiu de Vale do Paraíso no dia 13 de agosto com o objetivo de atravessar a fronteira entre México e EUA, através do deserto, com ajuda de um coiote.

Ela estava acompanhada de dois amigos que moravam na mesma cidade e a conheciam desde a infância. A intenção de Lenilda em ir para os EUA era "dar melhor qualidade de vida para a família".

Os três viajantes passaram 33 dias na mesma casa esperando o melhor momento para atravessar o deserto. A caminhada iniciou em um domingo e já no dia seguinte Lenilda estava muito desidratada e passando mal.

Em áudios enviados à família, Lenilda conta que os amigos decidiram seguir caminho sem ela, mas voltariam para buscá-la. Ela só precisava seguir andando mais um pouco até o local combinado e aguardar por ajuda.

Lenilda foi encontrada morta nove dias depois. A família acredita que ela morreu de sede após ser abandonada.

"Eles abandonaram ela na segunda. Ela ainda caminhou a terça todinha, chegou no lugar que tinha que chegar e ninguém veio buscar”, conta a filha Genifer Oliveira.

 Tentativas de retorno para casa

Após os trâmites burocráticos, o corpo foi liberado para sair do EUA e retornar para o Brasil. Porém o agente funerário responsável pelo translado de Lenilda do Santos, sofreu um infarto na hora do embarque e, por isso, o envio do corpo foi adiado para a próxima semana. A informação foi confirmada para reportgagem pela família de Lenilda no dia 21 de outubro.

A previsão era de que o corpo da técnica de enfermagem saísse de Ohio, nos Estados Unidos, em 20 de outubro, dia em que ela completaria 50 anos.

Com o adiamento, segundo a família, todos os documentos teriam de ser refeitos com o novo agente funerário, que substituiu o primeiro agente após ele sofrer o ataque cardíaco.

'Não chora... a vovó Lenilda tá no céu'

Lenilda dos Santos deixou duas filhas adultas, uma delas é Genifer Oliveira, que tem um filho de cinco anos e está grávida. Segundo a jovem, os filhos são o que dão força para suportar esse momento de perda.

"Eu não tinha força para falar e meu filho de 5 anos chegou em mim e disse: 'não chora não, porque a vovó Lenilda tá no céu e agora ela têm muitos poderes lá de cima. Ela vai cuidar da gente'. Parece que veio aquela paz no coração quando ele chegou e me falou aquilo", conta Genifer.


(G1 RO)

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