Povo Paiter Suruí inaugura complexo turístico no meio da floresta em Rondônia

Em Cacoal, Rondônia existe um centro de turismo indígena
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FRANCISCO COSTA
3 setembro 2022
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Cultura indígena e turismo podem caminhar juntos para manter os costumes e tradições dos povos originários, gerar renda, conservar o meio ambiente, movimentar a economia e desenvolver o país. 

Essa prática é chamada etnoturismo e, no Brasil, está diretamente ligada aos aos povos indígenas tradicionais. É uma fonte de renda para diversas aldeias, mas pode impactar diretamente na vida dos visitantes, por isso deve ser estratégico e cuidadosamente planejado.

De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e informações do site do Ministério do Turismo, “as comunidades indígenas têm autonomia para explorar projetos de turismo em seus territórios, cabendo ao poder público o papel de monitorar e fiscalizar as atividades nas aldeias”. As visitações são agendadas com os próprios representantes das comunidades ou agências de turismo autorizadas por eles.

Por que o turismo na Amazônia pode salvar a floresta?

Diariamente, perdemos um pedaço de uma das regiões mais importantes do planeta. O aumento da degradação na floresta Amazônica, seja através de incêndios, desmatamento ou invasão de terras indígenas, se tornou uma preocupação mundial. Essas ações, invariavelmente, estão ligadas a interesses comerciais e políticas de crescimento econômico que se apoiam em tradicionais formas de lucratividade, como o agronegócio, exploração de recursos naturais e madeireiras. Mas a floresta possui um valor enorme quando está de pé. O turismo na Amazônia é um grande aliado para enxergamos seu benefício.

Existem inúmeros motivos para preservarmos a Amazônia, todos conectados diretamente com o bem-estar mundial. Nós vivemos em um planeta sistêmico, ou seja, existe uma interdependência entre todos os seres. O que acontece do outro lado do mundo impacta diretamente aqui. Por exemplo, grande parte das chuvas que temos no Brasil são iniciadas no deserto do Saara, suas areias vêm carregadas pelo vento na Amazônia, trazendo com elas diversos elementos químicos. Ao chegar na floresta Amazônica, as chuvas sofrem processos, criando os rios voadores, uma grande quantidade de água que se espalha pela América Latina.

Outros motivos para conservar a floresta Amazônica são a capacidade de guardar carbono dentro de sua mata, regulando o clima mundial; a preservação da cultura e saberes das comunidades tradicionais; a existência de produtos de baixo impacto ambiental e grande benefício econômico; e o rico bioma que possui uma série de tecnologias naturais, especialmente para saúde.

Como o turismo na Amazônia pode salvar a floresta?

Você gosta de viajar para descansar na natureza? Em 2019 apenas, o gasto de turistas estrangeiros no Brasil foi de US$ 5.913 bilhões. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em 2017, nos munícipios que são cercados por Unidades de Conservação, os turistas gastaram cerca de R$ 2 bilhões. Dados assim demonstram o potencial econômico do turismo ecológico.

Movimentar a economia é importante por diversos fatores, desde o apoio de políticas públicas e investimentos de empresas para preservação ambiental, até benefícios para os próprios moradores locais, que conseguem alcançar subsistência e permanecer em suas terras, sem precisar explorar e/ou vender áreas que serão futuramente degradadas.

Como ser um viajante responsável na Amazônia

Se você chegou até aqui, já é um passo incrível – mostra que se interessa não apenas pelo o que irá receber do destino, mas também por como você pode contribuir para a preservação e regeneração da nossa Amazônia, e esse é um grande passo para ser um viajante responsável.

Veja então algumas atitudes que você pode ter para ajudar a cuidar da Amazônia enquanto viaja:

Pesquise e leia bastante antes de viajar, não só sobre o destino Amazônia, mas também sobre a atual situação das florestas e de suas populações. Estar informado é a melhor forma de fazer escolhas certas.

Busque agências e hotéis responsáveis – viaje com quem já possui iniciativas conscientes e que, além de atender bem o turista, é parceiro das comunidades. Desconfie das agências e lodges que vendem shows montados e nada naturais com indígenas ao invés de experiências realmente autênticas.

Respeite a cultura local – procure conhecer a essência da Amazônia. Vá com o coração e ouvidos abertos, respeitando o estilo de vida das comunidades. Se quiser levar alguma recordação, recorra aos artesanatos locais. Comprando diretamente das comunidades você garante emprego e renda para muitas pessoas.

Contrate um guia ou condutor local – se você não conhece a região e não está viajando em uma excursão, considere sempre contratar um guia ou condutor de ecoturismo experiente. Ele vai poder garantir não só a sua segurança, mas também seu conforto e evitar perrengues desnecessários.

Ajude a preservar a natureza – fotos, vídeos e memórias são o suficiente para guardar lembranças do local. Deixe os animais, plantas e outros elementos da natureza em seu lugar. Além disso, tenha cuidado com o que leva para dentro da floresta, cuide do seu lixo e tenha atenção também para os repelentes e protetores solares que podem ter grande impacto, especialmente nas águas. Opte sempre pelas versões mais naturais.

No dia 03 de setembro de 2022, foi inaugurado o " Complexo turístico Yabnanby, que na tradução significa Raízes da Floresta", localizado na aldeia Lapetanha, linha 11, Cacoal, Rondônia. 

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