No Brasil, 142 mil famílias vivem em ocupações

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Francisco Costa
27 junho 2022
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Famílias ocupam prédios abandonados na grande São Paulo (Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo)


Em cada ocupação, o que se vê são histórias de vida e pessoas que procuram por uma oportunidade de ter uma casa própria ou condição de pagar um aluguel.

Um drama social comum às grandes cidades brasileiras já atinge cerca de 142 mil famílias brasileiras: a falta de moradia. Eles podem ficar sem-teto a qualquer momento e vivem em situação improvisada. O Jornal Hoje ouviu as dificuldades encontradas por quem vive nesses locais.

Em um prédio onde já funcionou um hotel no Centro de São Paulo, por exemplo, vivem 70 famílias de sem-teto. Em cada apartamento o que se vê é uma história de vida. Com a da auxiliar de coxinha Ingrid Couto Melo, que há cinco meses saiu de Sergipe para a capital paulista com três filhos. Ela conseguiu um trabalho em um lar de idosos, mas ainda não ganha o suficiente para pagar um aluguel.

"Eu vim para tentar uma vida nova. Novos desafios, porque lá não tem muita oportunidade. Os meus filhos estão na escola", disse.

No mesmo prédio vive a Dariana, que é venezuelana e também tem três crianças e um emprego. Como a Ingrid, ela e o marido não ganham o suficiente para um aluguel. Ela diz que a filha mais velha já se adaptou à escola e fala bem o português, mas sente falta da família que ficou no país vizinho: avó, primos, tias e tios.

Sem muita oportunidade na Venezuela, ela não pretende voltar. "Quero ficar em São Paulo, eu gosto do clima e da possibilidade de trabalhar e conseguir dinheiro para manter a moradia para as minhas crianças", falou.

Situação delicada

O imóvel onde Dariana e Ingrid moram, no entanto, é um imóvel privado e já há uma ação de reintegração de posse. A prefeitura orientou as famílias sobre a necessidade de desocupação e ofereceu cadastro em programas habitacionais. Mas, por enquanto, ninguém quer sair de lá.

Esse é apenas um exemplo de uma realidade dramática em todo o país e São Paulo é o estado com mais gente nessa situação, com mais de 45 mil famílias morando em ocupações. Depois vem o Amazonas, com quase 30 mil, Pernambuco, com mais de 19 mil, seguido por Paraíba, com quase 10 mil e Rio Grande do Sul, com 8 mil famílias vivendo em ocupações.

Segundo o levantamento, são pelo menos 97 mil crianças vivendo nessas condições.

"A gente consegue identificar os casos de que a gente recebe informação. Não é um dado oficial do IBGE, é um mapeamento colaborativo, então a gente estima que esse número é subestimado. Essas pessoas que estão sendo despejadas não têm a menor alternativa de moradia e, muito provavelmente, vão se somar a um grande número de pessoas que já estão em situação de rua hoje", disse a coordenadora de Incidência Política da Habitat Brasil, Raquel Ludermir. (Jornal Hoje)

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